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  • mosteiroeishoji

Por Bruno Vancini Tinti


Introdução


Comunidades de diversos organismos podem sofrer mudanças ao longo do tempo através da perda ou surgimento de espécies e também pela alteração na densidade ou abundância de suas populações (Hero e Ridgway, 2006). Monitoramentos de comunidades e populações podem ser entendidos como uma importante estratégia para se averiguar e compreender as alterações às quais estão submetidas às comunidades de fauna estudadas (Hartmann et al. 2008).

A fauna silvestre é essencial para a manutenção dos ecossistemas, apresentando papéis indispensáveis para o ciclo de vida da flora nativa, agindo como agentes polinizadores ou dispersores de sementes, sendo importantes para manter a cadeia alimentar.  Entretanto, a fragmentação e pressão antrópica sobre os remanescentes florestais, resulta no afugentamento da fauna nativa, principalmente a de grande porte, e na invasão de espécies exóticas e oportunistas da fauna, diminuindo a biodiversidade de determinada região (Paglia, 1995, Lessa, 1999).

O levantamento das espécies representantes da fauna é um importante indicativo do grau de antropização de determinada área, sendo utilizado como ferramenta para verificar a existência de espécies ameaçadas de extinção nos fragmentos de cerrado e realizar o reconhecimento da fauna local.

O atual Relatório de Fauna objetiva realizar o levantamento de dados qualitativos sobre a fauna local, identificando os espécimes e o seu status de ameaça, na área do Mosteiro Zen Eisho-Ji, localizado em Pirenópolis – Goiás.


Materiais e Métodos


As atividades de campo do presente estudo foram conduzidas no Mosteiro Zen Eisho-Ji, localizada entre as coordenadas S e W, na região da Cidade de Pedras no município de Pirenópolis, Estado de Goiás.

A investigação da fauna presente no mosteiro foi feita principalmente através de armadilhas fotográficas, realizada no período de maio de 2017 a maio de 2018, com exceção de setembro de 2017 por conta de um incêndio florestal na região, totalizando 12 meses de estudo. Ao longo do período de amostragem foram utilizadas nove armadilhas fotográficas, modelo Bushnell 8MP Trophy Cam HD. Os equipamentos foram mantidos em funcionamento por 24 horas/dia no decorrer de todo o período de amostragem e ajustados no modo filmagem para utilização de 20 segundos e intervalo de 1 segundo entre as filmagens, a partir da ativação do sensor de presença da câmera.

Objetivando a distribuição natural dos espécimes, optou-se pela não utilização de atrativos, como iscas, uma vez que sua utilização pode tornar a amostragem seletiva, aumentando o grau de detecção de determinadas espécies (Cutler e Swann, 1999). A distribuição das armadilhas fotográficas está de acordo com a Figura 1.



Figura 1: Mapa de distribuição das armadilhas fotográficas


 

Outro método utilizado foi a de busca ativa do animal e registro de vestígios, como fezes e pegadas.

 

Resultados

Foram contabilizadas 10800 filmagens de 20 segundos, totalizando 540 horas de gravação. As gravações foram separadas entre gravações com registro, quando havia registro de alguma espécie de fauna, e gravações sem registro, quando não havia registro de nenhuma espécie fauna. As gravações com registro de espécie de fauna totalizou 108 horas de gravação. As gravações sem registro de espécies de fauna totalizou 432 horas de gravação.

Em relação ao número de espécies, foram encontradas 21 espécies de mamíferos, 2 de répteis e 14 de aves, de acordo com a tabela 1:

Nome Científico

Nome Popular

Categoria de Ameaça

Método de Captura*

Panthera onca

Onça pintada

VU

A

Puma concolor

Onça parda

VU

A;P

Leopardus pardalis

Jaguatirica

LC

A

Herpailurus yagouaroundi

Jaguarundi

VU

A

Chrysocyon brachyurus

Lobo guara

VU

A; P; F

Cerdocyon thous

Cachorro do mato

LC

A; P

Lycalopex ventulus

Raposinha do campo

VU

A

Myrmecophaga tridactyla

Tamanduá bandeira

VU

A; P; F

Tamandua tetradactyla

Tamanduá mirim

LC

A

Tapirus terrestris

Anta

VU

A; P; F

Euphractus sexcinctus

Tatu peba

LC

A; B

Dasypus novemcinctus

Tatu galinha

LC

A

Mazama gouazoubira

Veado catingueiro

LC

A; P; F; B

Ozotoceros bezoarticus

Veado-campeiro

VU

A; P

Conepatus semistriatus

Jaritataca

LC

A

Didelphis albiventris

Gambá

LC

A

Eira barbara

Irara

LC

A

Mustela putorius furo

Furão

LC

A

Nasua nasua

Quati

LC

A; P

Dasyprocta sp.

Cutia

-

A

Pecari tajacu

Catitu

 

LC

A; P

Bothrops moojeni

Jararaca

-

B

Crotalus durissus collilineatus

Cascavel

LC

B

Sarcoramphus papa

Urubu rei

LC

A; B

Ara ararauna

Arara Canindé

LC

B

Rhea americana

Ema

NT

B

Cariama cristata

Siriema

LC

A; B

Syrigma sibilatrix

Maria-faceira

LC

B

Nyctibius griseus

Urutau

LC

B

Athene cunicularia

Coruja buraqueira

LC

B

Rupornis magnirostris

Gavião carijó

LC

B

Caracara plancus

Carcará

LC

B

Crotophaga ani

Anu preto

LC

B

Ramphastos toco

Tucanuçu

LC

B

Psittacara leucophthalmus

Periquitão maracanã

LC

B

Crax fasciolata

Mutum-de-penacho

VU

A; B

Penelope ochrogaster

Jacu-de-barriga-castanha

VU

A

*Legenda: Armadilha-fotográfica: A; Pegada: P; Fezes: F; Busca Ativa: B

Tabela 1: Lista de espécies de fauna.

 

Discussão


O resultado de maior relevância para a região foi o da Onça pintada (Panthera onca) – Figura 1. Essa espécie pode ocupar aproximadamente 32% do cerrado, mas esta subpopulação encontra-se fragmentada. Essa subpopulação encontra-se em declínio continuado e estimativas demonstram que o tamanho populacional efetivo é de menos de 250 indivíduos. As principais ameaças são perda e fragmentação de habitat, associadas principalmente à expansão  agropecuária, eliminação de indivíduos  por  caça  e  retaliação,  e diminuição  de  presas  como  consequência  de  atividades  humanas (Morato et al., 2013).




Figura -  1 Onça-pintada


O conhecimento científico do cerrado ainda é muito incipiente, mesmo assim pode-se estimar a riqueza de espécies em 30% do que existe no Brasil. Esse bioma está sendo destruído com grande velocidade, superior à capacidade da ciência promover o conhecimento necessário para a sua proteção e conservação. A estratégia que tem sido empregada timidamente, é a criação de unidades de conservação nos locais e regiões, onde a pressão humana ainda não se fez sentir (Aguiar et al., 2004)


Referências bibliográficas


AGUIAR, L. M. S.; MACHADO, R. B.; MARINHO-FILHO, J. A diversidade biológica do Cerrado. In: Cerrado, ecologia e caracterização (L.M.S. Aguiar & A.J.A Camargo, eds.). Embrapa Cerrados, Planaltina, p.17-40, 2004.


MORATO, RG, BEISIEGEL BDM, RAMALHO EE, BOULHOSA LRP. Avaliação do risco de extinção da onça-pintada Panthera onca (Linnaeus, 1758) no Brasil. Biodiversidade Bras. 2013;3: 122–132.


HERO, JM. and RIDGWAY, T., 2006. Declínio Global de Espécies. In ROCHA, CFD., BERGALLO, HG., SLUYS, MV. and ALVES, MAS. Biologia da Conservação: Essências. RiMa, p. 53-90.


LESSA, G. et al. Caracterização e monitoramento da fauna de pequenos mamíferos terrestres de um fragmento de mata secundária em Viçosa, Minas Gerais. Bios, v. 7, n. 7, p. 41-49, 1999.


PAGLIA, A.P. et al. Heterogeneidade estrutural e diversidade de pequenos mamíferos em um fragmento de mata secundária de Minas Gerais, Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, v.12, n. 1, p. 69-79, 1995.


CUTLER, T.L. & D.E. SWANN, 1999. Using remote photography in wildlife ecology: a review. Wildlife Society Bulletin 23 (3): 571-581.

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