

“Cada encontro é uma coisa preciosa.”
— Ryotan Tokuda
Ryotan Tokuda é monge da tradição soto zen e dedica sua vida à prática e à transmissão do budismo zen há quase seis décadas. Desde que chegou ao Brasil, em 1968, acompanha a formação de comunidades de prática e incentiva o florescimento de um zen enraizado na realidade brasileira. Ao longo dessas quase seis décadas, participou da criação de mosteiros, templos e centros de prática que hoje fazem parte da história do zen no Brasil, além de comunidades na França e em outros lugares da Europa.
Quem convive com ele costuma destacar sua simplicidade, seu humor e sua liberdade. Uma conversa durante uma refeição, o trabalho em um jardim ou uma caminhada pelo mosteiro podem se tornar ocasião de ensinamento. Em vez de oferecer respostas prontas, Mestre Tokuda convida cada pessoa a descobrir por si mesma o significado da prática.
Nascido em 1938 na ilha de Hokkaido, no norte do Japão, ingressou na Universidade de Komazawa, em Tóquio, onde estudou Filosofia Budista e iniciou sua formação na tradição soto zen. Durante esse período, estudou com Kodo Sawaki, uma das principais referências do zen japonês no século XX. Buscando aprofundar sua formação, treinou também na tradição Rinzai com mestres como Soen Nakagawa e Sogen Asahina. Depois de um breve período na Força Aérea Japonesa, deixou a carreira aeronáutica para tornar-se monge, uma decisão que mais tarde descreveria como um dos grandes koans de sua vida. Foi ordenado por Ryohan Shingu, então responsável pela missão soto zen na América do Sul, antes de vir ao Brasil como missionário.
Em 1968, chegou ao Brasil como missionário. Inicialmente ligado ao templo Busshinji, em São Paulo, logo percebeu o interesse crescente de brasileiros pela prática do zen. Poucos anos depois, passou a dedicar seu trabalho principalmente a esse público, formando grupos de prática e ensinando zazen, sempre buscando apresentar o budismo de maneira próxima da realidade brasileira.
Além do zen, Mestre Tokuda dedica-se há décadas ao estudo e ao ensino da medicina tradicional chinesa. Também desenvolve um diálogo com a mística cristã, especialmente com autores como Mestre Eckhart e São João da Cruz, tema ao qual dedicou parte de sua obra.
Para Mestre Tokuda, a prática não se limita ao período de meditação. Ela continua no trabalho, no preparo dos alimentos, no cuidado com um jardim, no estudo e no encontro com cada pessoa. O zazen é seu ponto de partida, mas o caminho se realiza na vida cotidiana. É assim que, há quase seis décadas, segue transmitindo o zen: como um convite permanente à prática.
