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BENDOWA

DE


DOGEN ZENJI



UMA CONVERSA SOBRE BUSCAR A VERDADE


'Ben' quer dizer 'fazer um esforço' ou 'buscar', 'do' quer dizer 'a verdade', e 'wa' quer dizer 'uma conversa' ou 'história'. Mestre Dogen geralmente usava a palavra 'bendo' para indicar a prática do Zazen, então 'Bendowa' quer dizer uma conversa sobre buscar a verdade, ou uma conversa sobre a prática do Zazen. Este volume não estava incluído na primeira edição do Shobogenzo. Foi encontrado em Kyoto durante a era de Kanbun (1661-1673), e acrescentado ao Shobogenzo quando a edição de 95 volumes foi editada pelo Mestre Hangyo Kozen na era Genroku (1688-1704).





(11) Quando os budas-tathagatas, cada qual tendo recebido a transmissão de um para um do Dharma esplêndido, experimentam o estado supremo de Bodhi , eles possuem um método sutil que é supremo e sem intenção. A razão pela qual este (método) é transmitido somente de buda para buda, sem desvios, é que o samadhi de receber e utilizar o si mesmo é o seu padrão. Para o gozo deste samadhi, a prática do (Za)zen, na postura ereta de sentar, foi estabelecido como o portão autêntico. Este Dharma está abundantemente presente em cada ser humano, mas se não praticarmos, ele não se manifesta, e se não o experimentarmos, ele não pode ser realizado.

Quando o deixamos ir embora, já encheu as mãos; como pode ser definido como uno ou múltiplo? Quando falamos, já encheu a boca; não tem restrições em qualquer direção. Quando budas estão constantemente morando e mantendo este estado, eles não deixam reconhecimentos e percepções em aspectos separados (da realidade); e quando seres vivos estão eternamente funcionando neste estado, aspectos (da realidade) não aparecem a eles em reconhecimentos e percepções separados. O esforço ao buscar a verdade que estou agora ensinando faz as miríades de dharmas verdadeiros na experiência; realiza a unidade da realidade no caminho da liberação. Naquele momento de limpar barreiras e obter a liberdade como poderia este parágrafo ser relevante?


(14) Depois que estabeleci a vontade de buscar o Dharma, visitei (bons) conselheiros em todos os locais de nossa terra. Encontrei-me com Myozen do (templo) de Kennin. Nove estações de gelos e flores rapidamente se passaram enquanto eu o seguia, aprendendo um pouco dos costumes da linhagem Rinzai. Somente Myozen tinha recebido a transmissão autêntica do Dharma de Buda supremo, como o discípulo mais excelente do mestre fundador, Mestre Eisai – os outros alunos não podiam se comparar com ele. Então fui ao grande Reino da Sung, visitando (bons) conselheiros no leste e oeste de Chekiang e aprendendo da tradição da tradição pelos portões das cinco linhagens. Finalmente visitei o Mestre Zen Nyojo da montanha Dai-byaku-ho, e ali fui capaz de completar a grande tarefa de uma vida de prática. Depois disto, no começo da era da Grande Sung de Shojo, voltei para casa determinado a espalhar o Dharma e salvar os seres vivos – era como se um peso pesado tivesse sido colocado nos meus ombros. Contudo, para aguardar um surgimento durante o qual eu pudesse completar meu senso de missão, eu achei que pudesse gastar algum tempo perambulando como uma nuvem, flutuando aqui e ali como uma planta aquática, no estilo dos sábios antigos. Contudo se houvessem quaisquer verdadeiros praticantes que colocassem a verdade primeiro, estando naturalmente despreocupados com a fama e com o lucro, estes poderiam ser de forma inútil conduzidos erroneamente por professores falsos e poderia ser lançado sem necessidade um véu sobre a percepção correta. Poderiam inutilmente se tornar bêbados com a auto decepção, e afundar para sempre no estado da ilusão. Como poderiam ser capazes de promover as sementes corretas de prajna, ou terem a oportunidade de atingir a verdade? Se agora eu estivesse absorto em vagar como uma nuvem ou como uma planta aquática, que montanhas e rios deveriam eles visitar? Sentindo que isto seria uma situação digna de piedade, eu decidi compilar um registro dos costumes e padrões que experimentei em primeira mão nos Mosteiros Zen do Reino da grande Sung, junto com um registro de instrução profunda de um (bom) conselheiro que recebi e mantive. Eu deixarei este registro para pessoas que aprendam na prática e estejam confortáveis na verdade, de forma que eles possam saber o Dharma correto da linhagem do Buda. Isso pode se constituir numa verdadeira missão.


(17) Dizem (os sutras): O Grande Mestre Shakyamuni na ordem do Pico do Abutre transmitiu o Dharma a Mahakasyapa . (O Dharma) foi autenticamente transmitido de patriarca a patriarca e alcançou o Venerável Bodhidharma. O Venerável ele mesmo foi à China e transmitiu o Dharma ao Grande Mestre Eka . Esta foi a primeira transmissão do Dharma nas Terras do Leste. Transmitido de um para um desta forma, (o Dharma) chegou naturalmente ao Mestre Zen Daikan , o Sexto Patriarca. Naquele tempo, como o verdadeiro Dharma de Buda se espalhou através da (terra do) leste da China, tornou-se claro que (o Dharma) está além da expressão literária. O Sexto Patriarca tinha dois discípulos excelentes, Ejo de Nangaku e Gyoshi de Seigen. Ambos, tendo recebido e mantido a postura do Buda, eram professores guias para seres humanos bem como para deuses. (O Dharma) fluiu e se espalhou nestas duas correntes, e as cinco linhagens foram estabelecidas. Estes são os assim chamados Seita Hogen, Seita Igyo, Seita Soto, Seita Unmon, e Seita Rinzai. Na (China) Grande Sung hoje é a Seita Rinzai apenas que predomina através do país. Apesar de haver diferenças entre as cinco tradições, a postura com o selo da mente de Buda é apenas uma. Mesmo no Grande Reino da Sung, apesar de na Dinastia Posterior Han para a frente textos filosóficos terem sido disseminados através do país e terem deixado a sua impressão, ninguém podia decidir o que era superior e o que era inferior. Depois que o Mestre Ancestral veio do Oeste, ele diretamente cortou até a fonte da confusão e espalhou o Dharma de Buda sem adulterações. Devemos esperar que a mesma coisa aconteça neste país. (Os sutras) dizem que os muitos patriarcas e os muitos budas, que dominaram e mantiveram o Dharma de Buda, todos se basearam na prática de sentar ereto no samadhi de receber e usar o si mesmo, e consideravam (esta prática) como o caminho correto para revelar o estado da realização. Seres humanos que atingiram a verdade nos Céus do Oeste e nas Terras do Leste seguiram este estilo de prática. Esta (prática) se baseia na transmissão mística e autêntica do método sutil de mestre para discípulo e a recepção (do discípulo) e manutenção da verdadeira essência dos ensinamentos.


(20) Na transmissão autêntica de (nossa) religião, é dito que este Dharma de Buda , que foi autenticamente e diretamente transmitido de um para um, é supremo entre as coisas supremas. Depois do encontro inicial com um (bom) conselheiro nós nunca mais necessitamos queimar incenso, fazer prostrações, recitar o nome de Buda, praticar confissão, ou ler os sutras. Somente sentem e obtenham o estado que é livre em corpo e mente. Se um ser humano, mesmo que por um só momento, manifestar a postura do Buda nas três formas de conduta, enquanto (aquela pessoa) senta ereto em samadhi, o mundo inteiro do Dharma assume a postura do Buda e todo o espaço se torna o estado da realização. (A prática) assim aumenta a alegria do Dharma que é o estado original dos buddhas-tathagatas, e renova o esplendor de suas realizações da verdade. Além disso, através dos mundos do Dharma nas dez direções, seres comuns dos três estados e nos seis estados todos se tornam límpidos e puros no corpo e mente imediatamente; eles experimentam o estado da grande liberação, e suas fisionomias originais se revelam. Então todos os dharmas experimentam e compreendem a realização correta e as miríades de coisas cada qual coloca seu corpo Budista em prática; num instante, eles completamente transcendem os limites da experiência e da compreensão; eles sentam eretos como reis da árvore Bodhi ; num momento eles giram a Grande Roda do Dharma que é o inigualável estado de equilíbrio; e eles expõem o estado último, sem adornos e profundo de prajna. Estes estados corretos e equilibrados de realização também funcionam ao contrário, seguindo caminhos de cooperação íntima e mística, de forma que esta pessoa que senta em Zazen paulatinamente se livra do corpo e mente, corta fora pontos de vista e pensamentos impuros miscelâneos (acumulados) do passado e assim experimenta compreende o Dharma de Buda puro e natural. Por cada um dos infinitesimais e inumeráveis assentos da verdade dos buddhas-tathagatas, (o praticante) promove o trabalho de Buda e espalha sua influência amplamente por sobre aqueles que possuem capacidades de praticarem buda. Neste momento, tudo no Universo nas dez direções – terra, solo, relva e árvores; cercas, paredes, telhas e pedras – fazem o trabalho de Buda. As pessoas que recebem o benefício assim produzidos pelo vento e pela água são todos misticamente ajudados pela influência fina e impensável do Buda, e assim exibem o estado imediato da realização. Todos os seres que recebem e que utilizam esta água e fogo espalham a influência do Buda no estado original da experiência, de forma que aqueles que vivem e falam com eles também, todos estão reciprocamente agraciados com a virtude sem limites do Buda. Expandindo e promovendo suas atividades amplamente, eles permeiam o dentro e fora do Universo inteiro com o Dharma de Buda sem limites, incessante, impensável e incalculável. (O estado) não é diminuído pelos pontos de vista destes indivíduos eles mesmos, contudo, porque o estado na quietude, sem atividade intencional, é a experiência direta. Se dividirmos a prática e experiência em dois estágios, como nos pensamentos de pessoas comuns, cada parte pode ser percebida e compreendida separadamente. (Mas) se a percepção e compreensão forem misturadas a isto, isso não é o estado padrão da experiência, porque o estado padrão da experiência está além da emoção iludida. Apesar, de na quietude, a mente e o mundo externo entrarem conjuntamente no estado da experiência e passam juntos para o estado da realização, (estes movimentos) estão no estado de receber e usar o si mesmo. Portanto, (movimentos da mente e do mundo externo) nem movem uma só molécula nem perturbam uma só forma, mas realizam o vasto e grande trabalho de Buda e a profunda e fina influência do Buda. As relvas, árvores, solo e a terra alcançados por esta influência guiadora todos irradiam grande brilho e suas pregações do fino e profundo Dharma é sem fim. Relvas, árvores, cercas e paredes se tornam capazes de pregar para todas as almas, (tanto) pessoas comuns quanto santos; e por outro lado, todas as almas, (tanto) de pessoas comuns quanto de santos, pregam para relvas, árvores, cercas e paredes. Ao mundo da autoconsciência e (ao mundo) da consciência de objetos externos não falta nada – eles já estão mobilidades com a forma concreta da experiência verdadeira. O estado padrão da experiência verdadeira, quando ativada, não permite nenhum momento preguiçoso. O Zazen, mesmo que for somente de um só ser humano sentando durante um só momento, assim entra na cooperação mística com todos os dharmas, e completamente penetra todos os tempos.; e assim realiza dentro do Universo sem limites, o trabalho eterno da influência guiadora do Buda no passado, futuro e presente. Para todos é completamente a mesma prática e a mesma experiência. A prática não está confinada somente ao momento de sentar; atinge o espaço e ressoa, (como) o ressoar que continua antes e depois de um sino. Como poderia (a prática) estar limitada a este lugar? Todas as coisas concretas possuem a prática original como sua fisionomia original; está além da compreensão. Lembrem-se, mesmo que os incontáveis budas nas dez direções, tão numerosos quanto as areias do Ganges, tentassem com todos seus poderes e todas suas sabedorias de Buda calcular ou compreender o mérito do Zazen de uma pessoa, eles não poderiam sequer se aproximar.


(26) Agora que ouvimos como é alto e grande o mérito deste Zazen. (Mas) alguma pessoa estúpida poderia duvidosamente perguntar, “Existem muitos portões para o Dharma de Buda. Por que você somente recomenda sentar em Zazen?”


Eu digo: Porque é o portão autêntico do Dharma de Buda.


(Alguém) pergunta, “Por que você o considera como sendo o portão autêntico?”


Eu digo: O Grande Mestre Shakyamuni exatamente transmitiu, como a tradição autêntica, este método sutil de ganhar o estado da verdade, e os tathagatas dos três tempos todos atingiram a verdade através do Zazen. Assim o fato que o (Zazen) é o portão autêntico tem sido transmitido e recebido. Além disso, os patriarcas dos Céus do Oeste e das Terras do Leste todos atingiram a verdade através do Zazen. Portanto eu estou agora pregando o (Zazen) a seres humanos e deuses como o portão autêntico.


(27) (Alguém) pergunta, “Aquilo que se baseia em receber a transmissão autêntica do método sutil do Tathagata, ou em seguir os traços dos mestres ancestrais, está certamente além do intelecto do homem comum. Ler sutras ou recitar os nomes dos budas, contudo, pode naturalmente se tornar as causas e condições da iluminação. Mas quanto a somente sentar à toa sem fazer nada que seja, como pode isso ser os meios de obter a iluminação?”


Eu digo: Se você achar que o samadhi dos budas, o grande Dharma supremo, é sentar à toa sem fazer nada, você é uma pessoa que insulta o Grande Veículo. (Tal) ilusão é tão profunda que é como estar no oceano e dizer que ali não há água nenhuma. (No Zazen) estamos já sentados, estavelmente e agradecidamente, no samadhi dos budas de receber e usar o si mesmo. Não será tal coisa a realização de uma grande e vasta virtude? É digno de piedade que seus olhos ainda não estão abertos e que sua mente permaneça num estupor bêbado. Em geral, o estado dos budas é impensável: a inteligência não o pode atingir. Quanto menos ainda poderia a descrença ou uma sabedoria inferior conhecer o estado? Somente aquelas pessoas que possuem grande características e crença correta podem entrar nisto. Para pessoas de descrença, mesmo que ensinado a elas, é difícil de receber o ensinamento – mesmo no Pico do Abutre havia pessoas (sobre as quais o Buda disse,) “Que eles se retirem também está ótimo”. Como regra geral, quando a crença correta emerge em nossa mente, devemos fazer o treinamento e aprender na prática. De outra forma, devemos descansar um pouco. Lamente o fato se quiser, mas desde os tempos antigos o Dharma tem estado ressecado. Além disso, você sabe por si mesmo qualquer virtude que é ganha de práticas tais como ler sutras ou recitar os nomes dos budas? É muito inseguro achar que somente ficar matraqueando a língua e elevar a voz tenha a virtude do trabalho do Buda. Quando comparamos (tais práticas) com o Dharma de Buda, elas se esmaecem mais e mais na distância. Além disso, abrimos os sutras para esclarecer o critério que o Buda ensinou da prática instantânea e gradual, e aqueles que praticam de forma de acordo com o ensinamento invariavelmente os causa a atingir o estado da experiência verdadeira. Isso é completamente diferente de aspirar à virtude da realização de bodhi através de em vão tentar exaurir o intelecto. Tentar chegar ao Estado de Buda da verdade (somente) através da ação da boca, estupidamente cantando milhares de vezes, é como esperar atingir (o país do sul de) Etsu apontando a carruagem para o norte. Ou é como tentar colocar uma cavilha quadrada num buraco redondo. Ler frases enquanto a pessoa está ignorante quanto aos meios da prática (é como) um aluno de medicina esquecendo como combinar os remédios. Do que vale isso? Aqueles que cantam infindavelmente são como sapos num campo de arroz da primavera, coaxando dia e noite. Finalmente do que vale tudo isso? É ainda mais difícil para aquelas pessoas que estão profundamente perturbadas pela fama e ganho abandonar tais coisas. A mente que busca o ganho é muito profunda e assim deve ter estado presente no passado antigo. Como não poderia estar presente no mundo de hoje? É digno de piedade. Somente lembrem-se, quando um praticante diretamente segue um mestre que alcançou a verdade e esclareceu a mente e quando o praticante iguala a mente e a experimenta e compreende e assim recebe a transmissão autêntica do Dharma sutil dos Sete Budas, então o ensinamento exato aparece claramente e é recebido e mantido. Isso está além da compreensão dos professores do Dharma que estudam palavras. Então pare com estas dúvidas e ilusão e, seguindo o ensinamento de um verdadeiro mestre, atinja na experiência o samadhi dos budas de receber e utilizar o si mesmo, sentando em Zazen e buscando a verdade.


(32) (Alguém) pergunta, “A Flor do Dharma e o ensinamento do (Sutra) da Grinalda , que foram transmitidos para este país, são ambos a expressão última do Grande Veículo. Além disso, no caso da Seita Shingon, (a transmissão) passou diretamente do Tathagata Vairocana para Vajjra-sattva, então (a transmissão) de mestre a discípulo não é ao acaso. Citando os princípios que são discutidos, que “A mente aqui e agora é o buda”, e “Esta mente se torna o buda”, (A Escola Shingon) proclama que realizamos a realização correta dos cinco budas de uma só sentada, sem nos submetermos a muitos kalpas de treinamento. Podemos dizer que este seja o refinamento último do Dharma de Buda. O que é tão excelente então sobre a prática que você agora recomenda como única, à exclusão destas outras (práticas)?”


Eu digo: Lembre-se, entre Budistas nós não discutimos sobre a superioridade e inferioridade de filosofias, ou escolhemos entre o raso e o profundo no Dharma; necessitamos somente saber se a prática é genuína ou artificial. Alguns entraram na corrente da verdade do Buda com a convite de relvas, flores, montanhas e rios. Alguns receberam e mantiveram o Selo do Buda apreendendo o solo, pedras, areias e seixos. Além disso, o Vasto e Grande Mundo é ainda mais abundante do que as miríades de fenômenos. E o girar da Grande Roda do Dharma é contido em cada molécula. Isso sendo assim, as palavras “Mente aqui e agora é buda” são somente a lua na água, e a ideia “Somente sentar é se tornar buda” é também um reflexo no espelho. Não devemos ser pegos pela armadilha das palavras. Agora, ao recomendar a prática na qual bodhi é diretamente experimentado, espero demonstrar esta verdade sutil que os Patriarcas Budistas transmitiram de um para um, e assim torná-los em pessoas do verdadeiro estado da verdade. Além disso, para a transmissão do Dharma de Buda, devemos sempre considerar como professor uma pessoa que tenha experimentado o estado (de Buda). Nunca é suficiente considerar como nosso professor um erudito que conta palavras; isso seria como o cego conduzindo cegos. Nisto, a linhagem da transmissão autêntica dos Patriarcas Budistas, todos nós reverenciamos mestres sábios que atingiram a verdade e que experimentaram o estado, e nos causam a morar dentro do Dharma de Buda e mantê-lo. É por isso que, quando Shintoístas (das linhagens do) yin e yang vêm para se dedicar, e quando arhats que experimentaram o efeito vem perguntar sobre o Dharma, nós lhes damos a cada qual deles, sem falta, os meios de esclarecer o estado mental. Isso é algo que nunca foi ouvido em outras linhagens. Os discípulos do Buda devem somente aprender o Dharma de Buda. Além disso, devemos nos lembrar que desde o começo nunca nos faltou o supremo estado de bodhi, e nós o receberemos e manteremos para sempre. Ao mesmo tempo, porque não o podemos perceber diretamente, temos a tendência de desenvolver variados conceitos intelectuais, e porque seguimos estes como se fossem reais, em vão passamos ao largo do grande estado da verdade. Destas idéias intelectuais emergem todo tipo de flores no espaço: pensamos sobre o ciclo de doze elos, e as vinte e cinco esferas da existência; e as ideias dos Três veículos e dos Cinco veículos ou de ter a (Natureza de) Buda e não ter a (Natureza de) Buda, essas coisas não têm fim. Não devemos achar que aprender estas ideias intelectuais seja o caminho correto da prática Budista. Quando nós somente sentamos em Zazen, por outro lado, nos baseando em exatamente a mesma postura do Buda, e largando todas as miríades de coisas, então vamos além das áreas da ilusão, realização, emoção e consideração, e não estamos preocupados com os caminhos do comum e do sagrado. Imediatamente estamos vagando fora da armadura (intelectual), recebendo e usando o grande estado de bodhi. Como podem aqueles tolhidos e apreendidos na armadilha de palavras comparar (com isto)?


(37) (Alguém) pergunta, “Entre os três tipos de treinamento existe o treinamento no estado equilibrado e entre os seis Paramitas existe o Dhyana Paramita, ambos os quais todos os bodhisattvas aprendem desde o começo e todos os bodhisattvas praticam, não importa se são espertos ou estúpidos. O Zazen (que você está discutindo) agora com certeza é um destes. Por que você diz que o Dharma correto do Tathagata está concentrado nesta (prática do Zazen)?”


Eu digo: A pergunta surge porque o Tesouro-do-Olho-do-Dharma-correto, o grande e supremo método, que é a grande questão do Tathagata, tem sido chamado “Seita Zen”. Lembrem-se que este título “Seita Zen” foi estabelecido na China e no Leste; nunca foi ouvido na Índia. Quando o Grande Mestre Bodhidharma primeiramente ficou no Templo de Shaolin nas montanhas de Sung-shan, e fitou a parede durante nove anos, monges e leigos ainda eram ignorantes do Dharma correto do Buda, então eles chamaram (Mestre Bodhidharma) de um Brâmane que fazia do Zazen uma religião. Dali em diante, os patri-arcas de gerações sucessivas todos constantemente se dedicaram ao Zazen. Pessoas secu-lares estúpidas que viram isso, não conhecendo a realidade, falaram aleatoriamente de uma Seita do Zazen. Hoje em dia, deixando cair a palavra “Za”, eles falam somente da Seita Zen . Esta interpretação está clara nos registros dos patriarcas. (O Zazen) não deve ser discutido como o estado equilibrado de meditação nos Seis Paramitas e nos três tipos de treinamento. Que este Dharma de Buda seja a intenção legítima da transmissão de um para um nunca foi oculto através das eras. Na ordem do Pico do Abutre nos tempos antigos, quando o Tathagata conferiu o Dharma ao Venerável Mahakasyapa, transmitindo o Tesouro-do-Olho-do-Dharma-correto e a mente refinada do nirvana, o método supremo e grande, apenas a ele, a cerimônia foi testemunhada diretamente por seres entre a multidão celeste que estão presentes no mundo acima, então nunca deve ser duvidada. É uma regra universal que aqueles seres celestes guardarão e manterão o Dharma eternamente; seus esforços nunca esmaeceram. Somente lembre-se que (esta transmissão do Zazen) é toda a verdade do Dharma de Buda; nada pode ser comparado com isto.


(40) (Alguém) pergunta, “Por que, ao discutir a entrada no estado da experiência, Budistas nos recomendam a praticar o estado balanceado de dhyana somente pelo sentar, que é (apenas) uma das quatro formas de conduta?”


Eu digo: É difícil calcular todas as formas que os budas sucessivamente praticaram desde os tempos antigos para entrar no estado da experiência verdadeira. Se quisermos achar uma razão, devemos lembrar que o que Budistas praticam é razão em si mesma. Não devemos buscar (uma razão) além desta. Mas um mestre ancestral elogiou (a sentada) dizendo, “Sentar em Zazen é o portão alegre e pacífico do Dharma”. Então em conclusão a razão pode ser que, das quatro formas de conduta, (o sentar é a mais) pacífica e alegre. Além disso, (sentar) não é somente praticado por um ou dois budas; todos os budas e todos os patriarcas possuem este caminho.


(41) (Alguém) pergunta, “Quanto a esta prática do Zazen, uma pessoa que ainda não ex-perimentou e compreendeu o Dharma de Buda pode ser capaz de adquirir tal experiência buscando a verdade pelo Zazen. (Mas) e aquela pessoa que já esclareceu o Dharma correto do Buda, o que ela pode ganhar com o Zazen?”


Eu digo: Não contamos nossos sonhos diante de tolos e é difícil de colocar remos nas mãos de pessoas da montanha; contudo eu agora devo apresentar o ensinamento. O pensamento que a prática e a experiência não sejam a mesma coisa é somente a ideia de não-Budistas. No Dharma de Buda prática e experiência são exatamente a mesma coisa. (A prática) agora é também prática no estado da experiência; portanto, a busca da verdade de um principiante é exatamente todo o corpo do estado original da experiência. É por isso (que os patriarcas Budistas) nos ensinam, nos cuidados práticos que nos transmitiram, a não esperar qualquer experiência fora da prática. E a razão pode ser que (a prática mesma) seja o estado original da experiência diretamente acessível. Porque a prática é somente a experiência, a experiência é sem fim; e porque a experiência é a prática, a prática não tem começo. É por isso que tanto o Tathagata Shakyamuni e o Venerável Patriarca Mahakasyapa foram recebidos e usados pela prática que existe no estado da experiência. O Grande Mestre Bodhidharma e o Patriarca fundador Daikan foram similarmente atraídos e estimulados pela prática que existe no estado da experiência. Os exemplos de todos aqueles que moraram dentro e mantiveram o Dharma de Buda foram assim. A prática que nunca é separada da experiência já existe: tendo felizmente recebido a transmissão de um para um de uma partilha da prática sutil, nós que somos principiantes buscando a verdade diretamente possuímos, no estado sem intenção, uma partilha da experiência original. Lembre-se, para impedir que manchemos a experiência que nunca é separada da prática, os Patriarcas Budistas repetidamente nos ensinaram a não ser relaxados na prática. Quando esquecemos a prática sutil, a experiência original encheu nossas mãos: quando o corpo deixa a experiência original para trás, a prática sutil está operando pelo corpo todo. Além disso, como vi com meus próprios olhos na China Grande Sung, os mosteiros Zen de muitos distritos haviam construído salões de Zazen que acomodavam quinhentos ou seiscentos ou dois mil monges, que eram encorajados a sentar em Zazen dia e noite. O líder de uma tal ordem era um verdadeiro mestre que havia recebido o Selo da Mente de Buda. Quando eu lhe perguntei a grande intenção do Dharma de Buda, fui capaz de ouvir o princípio que a prática e a experiência não são nunca dois estágios. Portanto, de acordo com o ensinamento dos Patriarcas Budistas, e seguindo o caminho de um verdadeiro mestre, ele encorajou (a todos) a buscar a verdade em Zazen; (ele encorajou) não somente praticantes em sua ordem, mas (todos) os nobres amigos que buscavam o Dharma, (todas) as pessoas que almejavam achar a verdadeira realidade no Dharma de Buda, sem escolher entre principiantes e veteranos tardios, sem distinção entre pessoas comuns e pessoas sagradas. Vocês não ouviram as palavras do Mestre Ancestral que disse, “Não é que não haja prática e experiência, mas não pode ser contaminada”. Um outro (mestre) disse, “Alguém que vê o caminho pratica o caminho”. Lembre-se que mesmo no estado da realização da verdade, nós devemos praticar.


(44) (Alguém) pergunta, “Os mestres que espalharam os ensinamentos por todo nosso país em eras anteriores todos tinham entrado na China Tang e recebido a transmissão do Dharma. Por que, naquela instância, eles negligenciaram este princípio, e transmitiram somente ensinamentos filosóficos?”


Eu digo: A razão pela qual professores passados de seres humanos não transmitiram este método é porque o tempo ainda não estava maduro.


(45) (Alguém) pergunta, “Aqueles mestres de outras eras compreendiam este método?”


Eu digo: Se tivessem compreendido o método, tê-lo-iam tornado conhecido”.


(Alguém) pergunta, “Tem sido dito que não devemos lamentar nossa vida e morte, pois existe um método muito rápido de se livrar da vida e morte. Isso é, conhecer a verdade que a essência mental é eterna. Em outras palavras, este corpo físico, tendo nascido, necessariamente se move em direção à morte; mas esta essência mental nunca morre. Uma vez tendo sido capaz de reconhecer que esta essência mental que é não movida pelo nascimento e decadência exista em nosso corpo, vemos isto como a essência original. Portanto o corpo é somente uma forma temporária; ele morre aqui e nasce ali, nunca permanecendo constante. (Mas) a mente é eterna; é inalterável no passado, futuro ou presente. Saber isso é chamado ‘ter se livrado da vida e da morte’. Aqueles que conhecem este princípio detém o (ciclo) passado da vida e da morte para sempre e, quando este corpo passa adiante, eles entram no mundo dos espíritos. Quando eles se apresentam no mundo dos espíritos, eles ganham virtudes maravilhosas como aquelas dos budas-tathagatas. Mesmo que conheçamos (este princípio) agora, (nosso corpo) é ainda o corpo que foi formado por comportamento iludido em eras passadas, e assim não somos o mesmo que santos. Aqueles que conhecem este princípio para sempre girarão o ciclo da vida e da morte. Portanto devemos somente nos apressar a compreender o princípio de que a essência mental é eterna. Mesmo que passemos nossa vida inteira sentando à toa, o que poderíamos ganhar com isto? A doutrina que eu expressei assim está verdadeiramente de acordo com a verdade dos Budas e Patriarcas, não é mesmo?”


Eu digo: O ponto de vista ora expresso não é absolutamente o Dharma de Buda; é o ponto de vista do Não-Budista Senika. De acordo com aquele Não-Budista, existe uma inteligência espiritual que existe no nosso corpo. Quando esta inteligência se depara com as condições, pode discriminar entre o agradável e o desagradável e discriminar entre o certo e o errado e pode conhecer a dor e a irritação e conhecer o sofrimento e o prazer – todos (estes) são habilidades da inteligência espiritual. Quando este corpo morre, contudo, o espírito joga fora a pele e renasce no outro lado; assim apesar de parecer morrer aqui ele continua a viver lá. Portanto o chamamos de imortal e eterno. O ponto de vista do Não-Budista é assim. Mas se aprendermos este ponto de vista como sendo o Dharma de Buda, somos mais tolos ainda do que uma pessoa que pega um tijolo ou um seixo e acha que aquilo seja um tesouro; a ilusão seria vergonhosa demais para comparações. O Mestre Nacional Echu da China Grande Tang fortemente nos prevenia contra (tal ponto de vista). Se compararmos este ponto de vista errado presente que a mente seja eterna, mas a forma pereça com o Dharma esplêndido dos budas, achando que escapamos da vida e da morte quando estamos promovendo a causa original da vida e da morte, não estaríamos sendo estúpidos? Isso seria deveras lamentável. Sabendo que este (ponto de vista errado) é somente o ponto de vista errado de Não Budistas, não devemos sequer tocá-lo com nossos ouvidos. Contudo, não posso senão querer salvá-lo de tal ponto de vista errado e é somente compassivo (para mim) agora (tentar). Então lembre-se, no Dharma de Buda, porque corpo e mente originalmente são uma só realidade, o dito que a essência e a forma não sejam dois foi compreendido igualmente nos Céus do Oeste e nas Terras do Leste, e não devemos sequer ousar ir contra isto. Além disso, as linhagens que discutem a existência eterna, as miríades de dharmas são todos existência eterna: corpo e mente não estão divididos. E nas linhagens que discutem a extinção, todos os dharmas são extinção: a essência e a forma não estão divididos. Como podemos dizer, ao contrário, que o corpo é mortal, mas a mente é eterna? Isso não viola o senso comum? Além disso, devemos perceber que o viver e morrer são somente o nirvana. (Budistas) nunca discutiram o nirvana fora do nascer e morrer. Além disso, mesmo que erradamente nós imaginarmos a compreensão que a mente se torna eterna se livrando do corpo como sendo a Sabedoria de Buda que está livre da vida e da morte, a mente que é consciente desta compreensão ainda aparece e desaparece momentaneamente, e assim não é eterna de forma nenhuma. Então não será (esta compreensão) sem qualquer validade? Devemos provar e refletir. O princípio de que o corpo e mente sejam uma só realidade está constantemente sendo divulgado pelo Dharma de Buda. Então como poderia ser, ao contrário enquanto este corpo aparece e desaparece, a mente independentemente deixa o corpo e não aparece e desaparece? Se há uma ocasião quando (corpo e mente) sejam uma realidade e uma outra ocasião quando não sejam uma realidade, então segue-se naturalmente que o ensinamento de Buda é falso. Além disso, se acharmos que a vida e morte seja algo do qual tenhamos que nos livrar, cometemos o pecado de odiar o Dharma de Buda. Como não podemos ficar em guarda contra tal? Lembre-se a linhagem do Dharma que (afirma que) no Dharma de Buda o estado mental essencial universalmente inclui todas as formas, descreve todo o grande mundo do Dharma inclusivamente, sem dividir a essência e a forma, e sem discutir aparição e desaparição. Não há (estado) – nem mesmo bodhi ou nirvana – que seja diferente do estado essencial da mente. Todos os dharmas, miríades de fenômenos e coisas acumuladas, são totalmente só a mente única, sem exclusão ou desunião. Todas as várias linhagens do Dharma afirmam que (as miríades de coisas e fenômenos) são a mente equilibrada e não dividida, e fora isso não existe nada; e é justamente assim que Budistas compreenderam a essência da mente. Isso sendo assim, como poderíamos dividir esta uma realidade em corpo e mente ou em vida-morte e nirvana? Somos já os discípulos do Buda. Não toquemos com nossos ouvidos estes barulhos das línguas de loucos que divulgam pontos de vista Não-Budistas.


(51) (Alguém) pergunta, “Deve uma pessoa que é dedicada a este Zazen sempre aderir completamente aos preceitos?”


Eu digo: Manter os preceitos e a conduta pura são os padrões das linhagens Zen e o hábito geral dos Patriarcas Budistas. (Mas) aqueles que ainda não receberam os preceitos, ou que quebraram os preceitos, não ficam sem suas parcelas (do benefício do Zazen).


(Alguém) pergunta, “Não existe nada que impeça a pessoa que pratica Zazen de também cantar mantras e práticas de reflexões-quietas ?”


Eu digo: Quando estava na China, ouvi a verdadeira essência dos ensinamentos de um verdadeiro mestre; ele disse que ele nunca ouviu falar de qualquer Patriarca que tivesse recebido a transmissão autêntica do Selo de Buda jamais realizando tais práticas tradicionalmente, nos Céus do Oeste ou nas Terras do Leste, no passado ou no presente. Certamente, a menos que nos dediquemos a uma só coisa, não atingiremos a sabedoria completa.


(52) (Alguém) pergunta, “Deve esta prática ser realizada também por leigos e leigas, ou é feita somente por pessoas que deixaram seus lares?”


Eu digo: Um mestre ancestral foi ouvido dizendo que, com respeito a compreender o Dharma de Buda, não devemos escolher entre homens e mulheres, alto e baixo.


(Alguém) pergunta: As pessoas que deixaram seus lares ficam livres de envolvimentos imediatamente, então não têm obstáculos quando praticam o Zazen e buscam a verdade. Como pode um leigo ocupado dedicadamente em realizar o treinamento estar unificado com o estado não intencional da verdade Budista?”


Eu digo: Em geral, o Patriarca Budista , cheio de piedade, deixou aberto o grande e amplo portão da compaixão de forma que todos os seres vivos pudessem entrar (o estado da verdade); que ser humano ou deus não quereria entrar? Assim, quando pesquisamos o passado e o presente, existem muitas confirmações de tais (experiências e entradas). Por exemplo, Daiso e Junso eram, como imperadores, muito ocupados com assuntos de estado, (mas) eles buscaram a verdade sentando em Zazen e realizaram a grande verdade do Patriarca Budista. Tanto o Ministro Lee quanto o Ministro Bo, servindo como tenentes (do imperador), eram os braços e pernas de toda nação, (mas) eles buscaram a verdade sentando em Zazen e experimentaram e entraram na verdade do Patriarca Budista. Esta (prática e experiência) descansa somente em se ou não a vontade está presente; não se relaciona a se o corpo fica em casa ou deixa a casa. Além disso, qualquer pessoa que profundamente compreenda a superioridade ou inferioridade das coisas naturalmente terá crença. Ainda mais, aqueles que acham que assuntos mundanos prejudiquem o Dharma de Buda somente conheçam que não exista Dharma de Buda no mundo; não sabem que há dharmas mundanos no estado de Buda. Recentemente na grande Sung (China) havia (uma pessoa) chamada Ministro Hyo, um funcionário de alto escalão que era realizado na verdade do Patriarca. Em seus últimos anos ele fez um poema no qual se expressou da seguinte maneira:


Quando assuntos oficiais permitem, gosto de sentar em Zazen.

Raramente durmo com meu lado tocando uma cama.

Apesar de agora eu ter me tornado Primeiro Ministro,

Minha fama como praticante veterano se espalhou pelos quatro mares.


Este era alguém sem tempo livre dos deveres oficiais, mas porque sua vontade para a verdade do Buda era profunda, ele foi capaz de atingir a verdade. Devemos refletir em nós mesmos (em comparação) com ele, e devemos refletir no presente (em comparação) com aqueles dias. No Grande Reino da Sung, a geração presente de reis e ministros, oficiais e pessoas comuns, homens e mulheres, todos aplicam suas mentes para a verdade do Patriarca, sem exceção. Tanto as classes militares quanto as literárias estão resolvidas a praticar o (Za)zen e obter a verdade. Aqueles que decidirem assim, irão, em muitos casos, sem dúvida esclarecer o estado mental. Assim, pode naturalmente ser inferido que assuntos mundanos não prejudicam o Dharma de Buda. Quando o verdadeiro Dharma de Buda se espalha por uma nação os budas e os deuses guardam (aquela nação) incessantemente, de forma que o reino seja pacífico. Quando o reino imperial está pacífico, o Dharma de Buda chega a si mesmo. Além disso, quando Shakyamuni estava no mundo, (mesmo) pessoas com pesados pecados e pontos de vista errados eram incapazes de obter a verdade, e nas ordens dos mestres ancestrais, (mesmo) caçadores e velhos lenhadores entraram no estado de realização, para dizer nada de outras pessoas. Necessitamos somente pesquisar o ensinamento e o estado da verdade de um verdadeiro professor.


(56) (Alguém) pergunta, “Mesmo no mundo presente corrupto nessa era tardia, ainda assim é possível realizar o estado da experiência verdadeira quando fazemos esta prática?”


Eu digo: Filósofos se ocuparam com tais conceitos e formas, mas no ensinamento verdadeiro do Grande Veículo, sem discriminar entre Dharma “certo”, “imitativo” e “tardio”, dizemos que todos que praticam atingem o estado da verdade. Além disso, neste Dharma direta e corretamente transmitido, tanto ao entrar no Dharma e retirar o corpo, recebemos e usamos o tesouro de nós mesmos. Aqueles que praticam podem naturalmente saber se obtiveram o estado da experiência verdadeira ou não, justo como pessoas que estão usando água podem dizer por si mesmas se a água está fria ou quente.


(57) (Alguém) pergunta, “É dito que no Dharma de Buda uma vez que tenhamos claramente compreendido o princípio de que a mente aqui e agora seja o buda, mesmo que nossa boca não recite os sutras e que nossos corpos não pratiquem o caminho de Buda, não nos estará faltando absolutamente o Dharma de Buda. Somente sabendo que o Dharma de Buda originalmente reside em cada um de nós é todo o alcance da verdade. Não há necessidade de buscar qualquer outra coisa de outras pessoas. Quanto menos ainda há necessidade de buscar a verdade fazendo Zazen?


Eu digo: Estas palavras são falácias extremas. Se é como você diz, como poderia qualquer pessoa inteligente deixar de compreender este princípio uma vez que tenha sido explicado a eles? Lembre-se, aprendemos o Dharma de Buda somente quando abandonamos pontos de vista de sujeito e objeto. Se saber que nós mesmos somos somente buda pudesse ser chamado de realização da verdade, Shakyamuni não teria se importando em ensinar o caminho moral no passado. Eu agora gostaria de provar isto através do critério sutil dos velhos patriarcas.


Há muito tempo, havia um monge chamado Prior Soku na ordem do Mestre Zen Hogen . O Mestre Zen Hogen lhe perguntou, “Prior Soku, há quanto tempo você tem estado em minha ordem?”


Soku diz, “Servi na ordem do Mestre já por três anos”.


O Mestre Zen diz, “Você é um membro recente da ordem. Por que você nunca pergunta sobre o Dharma de Buda?”


Soku diz, “Não devo enganá-lo, Mestre. Antes, quando estava na ordem do Mestre Zen Seiho, realizei o estado de paz e alegria no Dharma de Buda”.


O Mestre Zen diz, “Se baseando em que palavras você foi capaz de entrar?”


Soku diz, “De certa feita perguntei a Seiho: Justamente o que é o aluno que sou eu? Seiho disse: Os filhos do fogo vêm procurar o fogo”.


Hogen diz, “Belas palavras. Mas temo muito que você possa não ter compreendido”.


Soku diz, “Os filhos do fogo pertencem ao fogo. (Então) eu compreendi que seus sendo fogo e, contudo, procurando o fogo representa eu mesmo e, contudo, procurando por mim mesmo”.


O Mestre Zen diz, “Agora tenho certeza de que você não compreende. Se o Dharma de Buda fosse isto, nunca teria sido transmitido até hoje”.


Com isto Soku ficou embaraçado e aflito, e ele se levantou (para partir). (Mas) na estrada ele pensou, “O Mestre Zen é (respeitado) pelo país todo (como) um bom conselheiro, e ele é um grande mestre guia de quinhentas pessoas. Deve com certeza haver algum mérito em sua crítica de minha compreensão errada”.


(Soku) volta para o Mestre Zen para confessar e se prostrar se desculpando. Então ele pergunta, “Justamente o que é este aluno que sou eu?”


O Mestre Zen diz, “O filho do fogo vem em busca do fogo”.


Sob a influência destas palavras, Soku amplamente realiza o Dharma de Buda.


Claramente, o Dharma de Buda nunca é conhecido pela compreensão intelectual que nós mesmos somos o buda. Se a compreensão intelectual que nós mesmos somos o buda fosse o Dharma de Buda, o Mestre Zen não poderia ter guiado (Soku) usando as palavras acima, e ele não teria advertido (Soku) como fez. Somente e diretamente, desde nosso primeiro encontro com um bom conselheiro, devemos perguntar os padrões da prática, e devemos com toda dedicação buscar a verdade sentando em Zazen, sem permitir sequer que um só reconhecimento ou que meia compreensão permaneça em nossas mentes. Então método sutil do Dharma de Buda não será (praticado) em vão.


(61) (Alguém) pergunta, “Quando ouvimos da Índia ou da China no passado e no presente, existem aqueles que realizaram o estado da verdade ao ouvir a voz de um bambu, ou esclareceram a mente vendo a cor das flores. Além disso, o Grande Professor Shakyamuni experimentou a verdade quando ele viu a estrela brilhante, o Venerável Ananda realizou o Dharma quando um mastro de bandeira caiu, e não somente isto: dentre as cinco linhagens que se seguiram ao Sexto Patriarca, muitas pessoas esclareceram o estado mental sob a influência de uma só palavra ou meia linha ou verso. Todos eles, sem exceção, buscaram a verdade sentando em Zazen?”


Eu digo: Devemos saber que estas pessoas do passado e do presente que esclareceram a mente ao ver formas e que realizaram a verdade ao ouvir sons, estavam todos sem dúvidas intelectuais ao buscar a verdade e somente no momento do presente não houve uma segunda pessoa.


(62) (Alguém) pergunta, “Na Índia e China, as pessoas são originalmente não afetadas e corretas. Estando no centro do mundo civilizado os faz assim. Como resultado, quando são ensinados o Dharma de Buda eles o compreendem e entram muito rapidamente. No nosso país, desde os tempos antigos as pessoas têm tido pouca benevolência e sabedoria, e nos é naturalmente difícil acumular as sementes corretas. Sendo selvagens e bárbaros (do Sudeste) nos torna assim. Como não nos arrependeríamos disto? Além disso, pessoas que deixaram o lar neste país são inferioras mesmo aos leigos das grandes nações; toda nossa sociedade é estúpida e nossas mentes são estreitas e pequenas. Estamos profundamente apegados aos resultados de esforço intencional, e gostamos de qualidade superficial. Podem pessoas desse jeito esperar experimentar o Dharma de Buda imediatamente, mesmo que sentem em Zazen?


Eu digo: Como você diz, as pessoas de nosso país ainda não são universalmente benevolentes e sábios, e alguns são de fato pérfidos. Mesmo que preguemos o Dharma correto e certo para eles, eles farão com que o néctar vire veneno. Facilmente eles tendem para a fama e o lucro, e é lhes é muito difícil dissolver seus apegos e ilusões. Por outro lado, experimentar e entrar no Dharma de Buda, a pessoa nem sempre necessita usar sabedoria mundana de seres humanos e deuses como vasos para a transcendência do mundo. Quando o Buda estava (no) mundo, (um velho monge) experimentou o quarto efeito (quando atingido) por uma bola, e (uma prostituta) esclareceu o grande estado da verdade depois de colocar um kasaya ; ambos eram criaturas broncas, estúpidas e tolas. Mas ajudadas pela crença correta, eles tiveram os meios de escapar de suas ilusões. Um outro caso era o de uma devota senhora preparando a refeição do meio-dia que desprendeu o estado de realização quando viu um velho e estúpido bhiksu sentado na quietude. Isso não proveio de sua sabedoria, não proveio de escrituras, não dependeu de palavras, e não dependeu de conversa; ela foi ajudada somente por sua crença correta. Além disso, os ensinamentos de Shakyamuni tem se espalhado pelo mundo três mil partes somente por cerca de dois mil anos mais ou menos. Países são de muito tipos; nem todas as nações são de benevolência e sabedoria. Como poderiam todas as pessoas, além disso, possuírem somente inteligência e sabedoria, agudez (de ouvido) e clareza (de olho)? Mas o Dharma correto do Tathagata está originalmente equipado com grande virtude e poder impensáveis, e assim quando o momento chega o Dharma se espalhará por todos estes países. Quando as pessoas somente praticam com a crença correta, os argutos e os obtusos de forma semelhante atingirão a verdade. Somente porque nosso país não seja uma nação de benevolência ou sabedoria e as pessoas sejam toscas, não achem que seja impossível para nós dominarmos o Dharma de Buda. Ainda mais, todos os seres humanos têm as sementes corretas de prajna abundantemente. Pode simplesmente ser que poucos dentre nós experimentemos o estado diretamente, e assim sejamos imaturos ao receber e usar isto.


(65) As perguntas e respostas acima vieram e foram, e a alternação entre a audiência e o palestrante foram desorganizadas. Quantas vezes fiz com que flores existissem no espaço sem flores? Por outro lado, o princípio fundamental de buscar a verdade sentando em Zazen nunca foi transmitido a este país; qualquer um que tivesse querido sabê-lo teria ficado desapontado. Foi por isto que eu quis juntar as poucas experiências que tive fora do país, e gravar os segredos de um professor iluminado, de forma que possa ser ouvido por qualquer praticante que o deseje fazer. Além disso há padrões e convenções para mosteiros e templos, mas não há tempo suficiente para ensiná-los agora, e não devem ser (ensinados) às pressas.


(66) Em geral, foi muito afortunado para as pessoas de nosso país que, apesar de estarmos situados no Mar do Dragão e que estejamos separados por nuvens e nevoeiros, desde o Reino de Kinmei e Yomei, o Dharma de Buda do Oeste se espalhou para nós no Leste. Contudo, a confusão se multiplicou por conceitos e formas, e fatos e circunstâncias, perturbando a situação da prática. Agora, porque nós nos contentamos com mantos remendados e tigelas coladas, amarrando sapé de forma que possamos sentar e treinar do lado de penhascos azuis e rochas brancas, a questão de ir além de Buda se torna aparente imediatamente, e nós rapidamente dominamos a grande questão de uma vida de prática. Justamente isto é o decreto da (montanha) de Ryuge, e o legado da (montanha) de Kukkutapada. As formas e os padrões para sentar em Zazen podem ser praticados seguindo o Fukan-zazengi que eu compilei na era Karoku .


(68) Agora, ao espalhar o ensinamento de Buda por uma nação toda, por outro lado, de-vemos aguardar o decreto do rei, mas por outro lado, quando nos lembramos da herança do Pico do Abutre, os reis, nobres, ministros, e generais agora manifestos nas centenas de miríades de kotis de reinos todos gratamente aceitaram o decreto do Buda e não esque-cendo do objetivo original de vidas prévias de guardar e manter o ensinamento do Buda, eles nasceram. (Dentro) das fronteiras da disseminação daquele ensinamento, que lugar poderia não ser uma Terra-de-Buda? Portanto, quando nós queremos disseminar a verdade dos patriarcas Budistas, não é sempre necessário selecionar um lugar (especial) ou aguar-dar circunstâncias (favoráveis). Devemos considerar hoje como o ponto de partida? Então coloquei isso tudo junto e o deixarei para sábios mestres que aspirem ao Dharma de Buda e para a verdadeira corrente de praticantes que desejem, como nuvens perambulantes ou água mutável, explorar o estado da verdade.


Dia do meio do outono, (no terceiro ano de) Kanki .

Escrito pela sramana Dogen, que entrou na (China) Sung e recebeu a transmissão do Dharma.


Shobogenzo Bendowa




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